A exploração de Sal na região de Aveiro remonta a uma época
anterior à existência da própria Ria. O 1º documento escrito sobre o salgado
aveirense é anterior à fundação da nacionalidade. As salinas integram um
conjunto mais ou menos complexo de valas, canais, tanques e lagoas de
decantação e evaporação separadas por diques, taludes e marachas colonizadas
pela vegetação típica dos sapais.
The Marnoto is the worker
that in the months that range from spring until late summer is engaged at
Salinas or Marines (as they say in the jargon in Aveiro) in the production of
salt. In a work that is divided between the rake and fill the trays with fresh
water, and pull the break after the salt crystallization, and finally load the
salt in heavy basket on their heads, is a craft that requires great physical
effort, under intense sun on a robust and tanned body. The last decades with
the expansion of global market competition and the salt industry have left less
room for the economic survival of the Marnoto, and increasingly a tourist value
but not enough to rescue the situation. This way is becoming less and less the
Marnotos which engage in full-time with the activity, only a few, with only a
few others to devote their free time, and virtually nonexistent a new
generation who will continue the tradition.
Marinha de Sal
Instalação a céu aberto, destinada a obter, por evaporação,
o sal dissolvido na água da Ria.
Numa salina, há as seguintes peças principais: viveiro,
algibés, caldeiros, sobre-cabeceiras, talhos, cabeceiras, meios de cima e meios
de baixo.
É construída, essencialmente com lamas, em plano inclinado,
situando-se o viveiro na parte superior e as andainas na inferior, para que a água
passe de um compartimento para o seguinte só por acção da gravidade.
Deve situar-se num local bem exposto aos ventos dominantes,
tendo em vista facilitar a evaporação, e o mais próximo possível do canal de
comunicação entre a Ria e o mar, para tomar água com boa concentração salina.
O mesmo que Marinha e Salina.
Rasoila
Rodo com um cabo de 2,2 m. e uma pá de 85 cm. de comprimento, por 25 cm. de largura e 1,8 cm. de espessura, cujo bordo inferior é, por vezes, forrado a zinco ou cobre, para o tornar mais resistente ao desgaste; usa-se para rer.
Rapar
Puxar para o tabuleiro do sal, com a rasoila, o sal, que foi
previamente envieirado.
O mesmo que Rer.
Marnoto a Rer
Encafuado na sua marinha, e acicatado pela ideia de que terá
de arrancar em quatro ou cinco meses de labuta quotidiana e permanente o pão
que há-de comer durante um ano inteiro, o marnoto fecha-se no seu pequeno mundo
e escreve, aí, o grande poema da sua vida de trabalho e de sofrimento.
Envieirar
Juntar o sal ou, durante a fase de preparação da marinha, o
moliço, nos vieiros.
Sal
Sal das cozinhas ou sal comum, obtido por evaporação da água
da Ria, que se deposita no fundo dos cristalizadores.
Para se obter este sal, onde predomina, largamente, o
cloreto de sódio, a concentração óptima das moiras situa-se entre os 25 e os 29
graus Baumé. Conforme o tamanho dos cristais, o sal classifica-se,
comercialmente, em três tipos: fino, traçado e grosso.
Canastras
Cestas utilizadas, principalmente, no transporte de sal, à
cabeça, com uma capacidade que varia entre 60 e 80 quilos para os homens, sendo
de 50 quilos quando utilizadas por mulheres; podem transportar-se, também,
nelas, moliço, codejo e lamas.
Prancha
Tábua de 3 m. de comprimento, 30 cm. de largura e 4 cm. de
espessura, usada como plano inclinado, por onde sobem os moços para despejar o
sal das canastras para o monte quando a altura deste excede a acessível do solo.
Quando o monte ultrapassa as 50 toneladas, recorre-se a
outras pranchas, apoiadas num ou dois cavaletes intermédios, a fim de tornar
menos íngreme e penosa a subida.
Marnoto Aveirense
Se é certo que o Sol e o Vento
são os grandes geradores do Sal, provocando a evaporação da água
salgada enclausurada em recipientes expostos à sua acção no Salgado de
Aveiro é o marnoto com o seu árduo trabalho o sublime escultor dos seus
finos cristais.
Encher os Montes
A primeira canastra de sal é
colocada no centro da eira e as seguintes vão sendo despejadas, umas em
cima das outras, sempre em pontos diferentes do monte, seguindo-se o
mesmo percurso circular; quando a estrela atinge a altura de um homem,
começa-se a abrir roda, ou seja, a colocar sal na saia (a aba),
aumentando-a, por forma a que o monte vá perdendo a sua forma cónica,
até se criar uma base plana superior, necessária para se fazer novo
coruto. Esta operação de abrir roda vai-se repetindo, até se formar um
monte com o tamanho desejado.
Vida de Marnoto

Desde o momento em que se inicia a preparação da marinha para a gestação do sal, passando pela recolha da água nos canais vizinhos, sua engorda salineira, e toda aquela teia delicada de que o marnoto se vale na luta heróica pela sua subsistência, até ao limiar da morte do sal em pleno Outono, sempre o marnoto é tocado de carinho, engenho e arte.










